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Caciopar, Faciap e POD: mudança na jornada vai trazer perdas ao trabalhador, empresas e economia

terça, 03 de março de 2026

CACIOPAR

A Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná, a Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná e o POD (Programa Oeste em Desenvolvimento), entidades que representam forças organizadas do setor produtivo na região e no Estado, emitem alerta sobre a intenção do governo federal de promover mudanças na jornada de trabalho. A ideia é substituir a atual 6x1 por outra, 5x2 ou 4x3, o que teria reflexos imensos na economia nacional. Diferente do que defendem os que apoiam a sugestão, a redução de jornada não vai melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, pelo contrário, dificultará ainda mais, já que haverá geração de inflação e perdas reais no poder de compra dos salários.
Os prejuízos também alcançarão as empresas, que terão de contratar mais pessoas sem que se acrescente absolutamente nada à produção e à produtividade, e a economia, que terá aumentos de custos, desestímulo a investimentos, entre outras consequências. Uma delas será sentida com força no Oeste do Paraná, onde há forte presença de cooperativas, por exemplo. Não há mão de obra disponível para contratação, reflexo também do exagero que o governo federal tem cometido com os auxílios sociais. Além de debate profundo sobre o assunto e as suas consequências, Caciopar, Faciap e POD pedem bom senso para que matéria dessa envergadura não seja discutida nem votada em ano eleitoral.

Segue a íntegra do documento:

6x1
Entidades alertam para perdas com
redução de jornada e pedem debate

Caciopar, Faciap e POD ressaltam que votar uma matéria dessa importância em ano eleitoral, sem o devido debate e amadurecimento, pode trazer sérios prejuízos a toda a economia brasileira. Elas defendem adiar discussão para 2027

A proposta que prevê o fim da jornada de trabalho no regime 6 x 1 e a possível redução da carga semanal para 40 horas tem mobilizado líderes empresariais, parlamentares e representantes do setor produtivo em todo o País. Enquanto defensores da medida argumentam em favor de mais qualidade de vida ao trabalhador, setores contrários alertam para os sérios impactos econômicos e sociais, especialmente em estados com forte base industrial e agropecuária, que a mudança, caso aprovada, vai trazer.
No Paraná, um dos estados mais afetados com a decisão, o alerta para a gravidade da situação parte da Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná), da Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná) e do POD, o Programa Oeste em Desenvolvimento. Entre os principais pontos levantados por líderes empresariais está o aumento direto dos custos operacionais. A avaliação é que a redução da jornada, sem aumento de produtividade, exigirá a contratação de mais trabalhadores para manter o mesmo nível de produção e atendimento.
Em segmentos com margens já pressionadas por carga tributária elevada, custos logísticos e encargos trabalhistas, a mudança pode representar desequilíbrio financeiro, sobretudo para micros, pequenas e médias empresas. No caso das cooperativas, responsáveis por empregar grande massa de trabalhadores, em especial no Oeste do Paraná, haverá fortes reflexos com a diminuição da jornada de trabalho. Estudos indicam que elas terão de aumentar em mais de 10% os seus quadros de colaboradores sem crescimento de produção e resultados, elevando custos em toda a cadeia.
No Paraná, com forte integração entre agronegócio, agroindústrias, cooperativas e comércio, a preocupação com as consequências de alterações na jornada é enorme. Líderes do setor produtivo lembram que o Estado já enfrenta escassez de mão de obra, com mais de 25 mil vagas abertas e não preenchidas em todas as regiões. Diante desse cenário, a exigência de novas contratações para compensar a redução da jornada poderia esbarrar em um obstáculo prático: a falta de profissionais disponíveis para ocupar esses postos.
Além da elevação de custos e do risco de perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações, representantes empresariais argumentam que a medida pode gerar pressão inflacionária ao longo da cadeia, uma vez que o aumento de despesas tende a ser repassado aos preços finais de produtos e serviços. Com mais inflação, os trabalhadores perderão poder de compra, o que trará, ao contrário do que alegam os que apoiam a proposta, prejuízos à qualidade de vida dele e de sua família.
Outro ponto observado pelas entidades à mudança envolve fatores estruturais do mercado de trabalho. Há quem sustente que o atual cenário de escassez de mão de obra também esteja relacionado, entre outros aspectos, à ampliação de programas sociais, que tem reduzido a oferta de trabalhadores disponíveis, aumentado gastos públicos e pressionado a carga tributária. Caciopar, Faciap e POD alertam que qualquer alteração estrutural na legislação trabalhista precisa considerar as especificidades regionais e setoriais, especialmente em estados produtores e altamente integrados ao agronegócio e à agroindústria.
O debate precisa e exige estudos mais amplos, dados técnicos consolidados e análises imparciais sobre impactos na produtividade, no emprego formal, na competitividade e na arrecadação pública. A proposta que está no Congresso deve ser amplamente discutida com o setor produtivo, trabalhadores e especialistas em mercado de trabalho antes de qualquer deliberação definitiva.

Adiar para 2027
Diante da relevância do tema para o futuro do emprego e da economia brasileira, líderes e entidades também sugerem que a votação não ocorra em ano eleitoral. O argumento é que decisões estruturais dessa magnitude não devem ser influenciadas pelo ambiente político-eleitoral, mas sim conduzidas com serenidade, responsabilidade fiscal e social e visão de longo prazo. Nesse contexto, defendem que o debate seja transferido para 2027, permitindo maior maturidade na discussão e construção de consenso.
Para esses setores, a modernização das relações de trabalho é necessária, mas precisa estar alinhada à realidade econômica do País, de suas regiões, à capacidade das empresas e à sustentabilidade do emprego. A avaliação é que uma mudança dessa dimensão, se aprovada sem amplo aprofundamento técnico e diálogo equilibrado, pode gerar efeitos indesejados em toda a cadeia produtiva brasileira, com sérias consequências ao futuro do Brasil.
 

 

 

 

Fonte: caciopar.org.br

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